Apnéia

Síndrome da apnéia obstrutiva do sono (SAOS):

Existe ronco sem apnéia, mas não existe apnéia sem ronco. Se o ronco não for tratado, os sintomas dele podem piorar e a grande ameaça é a possibilidade de ele ser apenas o quadro inicial de um problema mais grave, a apnéia, uma doença crônica que pode levar à morte.

Calcula-se que 30% dos roncadores também sofram de apnéia. A apnéia se manifesta quando há a obstrução total da passagem do ar provocando uma parada respiratória que duram em média de 10 a 30 segundos, o que leva frequentemente à queda na oxigenação do sangue. Em casos graves, esta diminuição na oxigenação é acima de 3%.

Esta situação pode ocorrer diversas vezes durante a noite sendo acompanhada de micro-despertares sem que, na maioria das vezes, a pessoa perceba. Devido a estas mini-interrupções do sono, o período acordado no dia seguinte é de péssima qualidade, com sonolência excessiva durante o dia, irritabilidade e cansaço, podendo ainda ocorrer a depressão, redução da libido, impotência sexual e dor de cabeça pela manhã (muito comum).

Existe também uma deteriorização da capacidade intelectual, da capacidade de atenção e de concentração. Por este motivo, estatísticas demonstram que existem 04 vezes mais acidentes de carro em quem tem apnéia.

Consequências da apnéia:

Nos casos mais graves a respiração pode cessar por até dois minutos dezenas de vezes na noite. A sobrecarga respiratória faz todos os outros sistemas do organismo sofrerem, principalmente o circulatório.

A asfixia pode trazer hipertensão, problemas cardíacos, sono fragmentado e consequências hemodinâmicas: aumento da pressão arterial, arritmia cardíaca, morte súbita, diminuição da saturação de oxigênio, taquicardia e aumento do número de infartos.

Quanto mais o paciente tem ronco e apnéia, maior a chance de ter um aumento de pressão arterial e consequentemente o ronco e a apnéia estão indiretamente relacionados ao aumento da taxa de mortalidade.

Outras alterações:

- sono não reparador
- acordar com sensação de sufocamento
- aumento de secreções respiratórias.
- aumento da transpiração (em relação a uma pessoa normal)
- refluxo esofágico
- boca seca
- espasmo da laringe
- a pessoa levanta várias vezes durante a noite para urinar
- problemas de memória
- ansiedade
- colabamento das vias aéreas superiores durante o sono, tendo como conseqüência a hipoxemia (deficiência anormal de concentração de oxigênio no sangue arterial) e hipercapnia (aumento do gás carbônico no sangue arterial), causados por fatores funcionais ou estruturais.

Características físicas e anatômicas que predispõe ao ronco e apnéia:

Além de todos os sintomas acima, na investigação feita para diagnosticar o ronco e a apnéia, variáveis como peso e altura, circunferência do pescoço e pressão arterial devem ser avaliadas.

Durante o exame físico investiga-se a circunferência do pescoço, o IMC (índice de massa corpórea) e a se há a presença de hipertensão arterial.
A avaliação das características do formato da face e crânio é fundamental para determinar alterações da maxila (hipoplasia) e da mandíbula (retroposição mandibular).

Pacientes obesos com gordura concentrada no nível do tronco normalmente apresentam pescoço curto, circunferência cervical alargada, excesso de gordura na região submentoniana e osso hióide deslocado inferiormente.

As alterações da oclusão dentária (mordida cruzada, aberta, má oclusão), presença de pálato ogival e estreitamento lateral da maxila podem ocasionar crescimento inadequado da maxila ou da mandíbula.

Os tecidos moles (volume da língua principalmente), ou hipodesenvolvimento da estrutura óssea bimaxilar são anatomias desproporcianais da cavidade bucal. Neste caso aplica-se a Classificação de Mallampati modificada.

Em posição sentada e abertura bucal máxima com a língua relaxada, observa-se a dimensão que a orofaringe está exposta, sendo estão classificada de l a lV, conforme visualização maior ou menor do bordo livre do palato mole em relação a base da língua.

Para saber se tem chances de vir a roncar, o se já ronca e/ou tem apnéia, abra a boca em frente ao espelho e veja com qual das figuras sua cavidade bucal se parece.  

Os indivíduos com Classificação de Mallampati modificada IV têm uma grande possibilidade de roncar e vir a desenvolver a apnéia, especialmente se ganharem peso. O mesmo se aplica para os indivíduos classe III, porém, numa menor proporção.

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Publicado em: 25/03/2010

Autor: Dr. Maurício Duarte da Conceição

Fonte: Ronco

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